Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Água: Um terço das análises da Quercus revela má qualidade

Quase um terço das 20 amostras recolhidas pelos ambientalistas da Quercus em 14 dos principais rios e ribeiras portugueses revelaram má qualidade da água, anunciou hoje aquela associação. As amostras foram recolhidas na semana passada em vários pontos de 14 rios e ribeiras de norte a sul do país, tendo em vista confirmar os maus resultados de qualidade que já fazem tradição em Portugal e assinalar o Dia Nacional da Água que hoje se celebra. «Os resultados são muito maus e confirmam o que tem sido divulgado pelas autoridades nos últimos anos», afirmou à agência Lusa o presidente da Quercus, Hélder Spínola. O rio Tejo, a jusante da barragem de Niza, foi o pior resultado registado, com a classificação de água «muito má». Mas a montante da barragem a qualidade da água também era «má», assim como a do rio Ave (Vila do Conde), no Sado (Santa Margarida do Sado), na Ribeira Quarteira (Paderne) e no rio Mira (Odemira). A estas seis amostras de má ou muito má qualidade, juntam-se outras oito com qualidade «razoável»: rios Tâmega, Douro, Mondego, Alcabrichel, Tejo junto a Alhandra, Sado próximo de Alcácer do Sal e Ribeira Vidigão (Vila Verde de Ficalho). Qualidade boa só foi obtida no rio Corgo (Vila Real), Vouga (S.Pedro do Sul), Tejo em Constância e Guadiana (Serpa). Das 20 amostras, só duas conseguiram obter uma qualidade de água excelente, nos rios Tâmega (Amarante) e no Zêzere (Constância). A Quercus recolheu apenas uma amostra em cada um destes rios. «Reconheço que não é um estudo completo, que para o ser deveria ter mais amostras. Mas isso implica uma logística que a associação não possui», adiantou Heldér Spínola. Mas os resultados desta amostragem vão ao encontro do que o próprio Instituto da Água tem revelado nos últimos anos, ao reconhecer que a qualidade da água tem ainda níveis muito baixos em Portugal.

 

«Os principais focos de poluição continuam a ser os esgotos domésticos, que não têm ou têm um tratamento deficiente, o abandono de resíduos que contamina as linhas de água e as escorrências de campos de cultivo por se usarem pesticidas em excesso», explicou.

Para a Quercus, o «estado normal» dos rios portugueses deveria significar uma prevalência da qualidade boa e não da razoável, como acontece actualmente: «A má ou muito má qualidade deveria acontecer em casos pontuais. É preciso tomar medidas urgentes para travar os focos de poluição», defendeu.

 

Diário Digital / Lusa - quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

publicado por Ricardo C. às 10:40

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